quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Epifania sem fábula

Troquei uma aliança com as fadas. Contos sem segredos. Vida sem fábulas.
Sem mentiras de perfeição aparente. A realidade, perante contos que nos inspiram e que nos levam a acreditar, nas vastas alternativas de um mundo melhor. Ser criança é sonhar. É projectar o futuro com esperança. Crescer sem maldade e com respeito pelo próximo. Enquanto pais, tentamos educar as nossas crianças, perante o socialmente correcto. Sem livro de instrução, mas com motivação diária e permanente sejamos sempre nós próprios. Pais imperfeitos mas reais face ás dificuldades de circunstância. Sentido da vida partilhado, com natural capacidade de resolução de obstáculos. Enfrentar os diversos desafios, pelo exemplo educacional em casa como referência e não por ideias conservadoras, preconceituosas e copiadas, na maioria frustradas. Nada que nos derrube. Sem receios de fracassar. Tudo o que nos permita aprender e reaprender a viver, a valorizar. Saber e ver crescer com respeito pela liberdade de escolha, de alternativas que nos façam dar-lhes tempo e tempos de atenção. Ser criança é ter liberdade para sonhar, sem condenar, sem julgar. Brincar aos adultos numa vertente humanamente pragmática. Com sentido útil de partilha e de nos sentirmos plenos ao fazê-lo. Dar azo à imaginação, com abertura de espaços, para que a vontade de ser, o seja inteiramente genuíno. Pelas epifanias da vida, sem fábulas ou fórmulas acrescidas, pelo que experimentamos, sem ficarmos pelo que idealizamos. Sem medos incutidos de crenças herditárias, são as crianças de hoje que nos inspiram, para novos ventos de mudança. Por eles tudo. Por nós muito pouco. Acomodarmo-nos nunca será exemplo. Mas o cultivo de mais insegurança.  Casa vez mais precoses no tempo, assertivas perante a naturalidade da vida as crianças já não resmungam, mas demonstram revolta e procuram interagir. Marcar a diferença, por novos sentimentos de pertença numa sociedade de peso. Também elas com os seus direitos, pelo direito de partilha coesa e social. Alianças fortalecidas quebram barreiras de medo. Ensinam-nos a sorrir em divergências e libertam-nos das incertezas. Uma criança feliz é o reflexo de um adulto, não perfeito mas completo.